domingo, 26 de abril de 2009

Na porta lentas luzes de neon

Na mesa flores murchas de crepon

E a luz grená filtrada entre conversas

Inventa um novo amor, loucas promessas

De tomara-que-cais surge a crooner do norte

Nem aplausos, nem vaias: um silêncio de morte

Ah, quem sabe de si nesses bares escuros

Quem sabe dos outros, das grades, dos muros

No drama sufocado em cada rosto

A lama de não ser o que se quis

A chama quase morta de um sol posto

A dama de um passado mais feliz

Um cuba-libre treme na mão fria

Ao triste strip-tease da agonia

De cada um que deixa o cabaré

Lá fora a luz do dia fere os olhos

Ah, quem sabe de si nesses bares escuros
João Bosco

Nenhum comentário: