quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

resíduo

(...) Pois de tudo fica um pouco.
Fica um pouco de teu queixo
no queixo de tua filha.
De teu áspero silêncioum pouco ficou, um pouco
nos muros zangados,nas folhas, mudas, que sobem.

Ficou um pouco de tudono pires de porcelana,
dragão partido, flor branca,ficou um pouco
de ruga na vossa testa,
retrato.

(...) E de tudo fica um pouco.
Oh abre os vidros de loção
e abafa
o insuportável mau cheiro da memória.
(Resíduo)
Carlos Drummond

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