quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Dia de cão

Hoje o dia foi foda. Como sempre é quando tenho que lidar com a morte de quem começou a viver, mesmo vivendo ou morrendo, lidar com o extremo sempre é foda. Amo minha profissão, mas porvezes ela me castiga e muitas outras ela me brinda. Ela acaba me mostrando que nem tudo pode ser resolvido[ a morte é inexorável]. As escolhas nem sempre são as preferidas ou perfeitas. Na vida não existe um simples ou um complexo equilíbrio de Nash.

Não consegui salvar todas as vidas que queria, mas salvei uma. E por isso meu sentimento dicotômico e minha retórica dialética de sempre. Sei que não sou Deus, sei disso, e não posso fazer com que todos vivam. Escolher é uma merda. Processos decisórios dolorosos, difíceis que por vezes trazem consigo uma angustia kafikiniana [desmedida na duração e herculia na intensidade] e sempre são... Hoje quero chegar em casa deitar no travesseiro e chorar. Como sempre faço quando escolho uma em vez de outra. Esperarei as folhas se tingirem de preto, o sono chegar o meu coração acalentar. E dizer pra mim mesmo, um dia de cada vez.

Solidão a dois de dia
Faz calor, depois faz frio
Você diz "já foi" e eu concordo contigo
Você sai de perto eu penso em suicídio
Mas no fundo eu não ligo
Você sempre volta com as mesmas notícias
Eu queria ter uma bomba
Um flit paralisante qualquer
Pra poder me livrar
Do prático efeito
Das tuas frases feitas
Das tuas noites perfeitas

Solidão a dois de dia
Faz calor, depois faz frio
Você diz "já foi" e eu concordo contigo
Você sai de perto eu penso em homicidio
Mas no fundo eu não ligo
Você sempre volta com as mesmas notícias
Eu queria ter uma bomba
Um flit paralisante qualquer
Pra poder te negar
Bem no último instante
Meu mundo que você não vê
Meu sonho que você não crê
Cazuza



Um comentário:

Tici Cavalcante disse...

Lendo seu blog hoje percebo que é muito mais bonito que imaginava... conte sempre comigo.

Com carinho
tici